Resultados da Escleroterapia com Espuma

 

Está sendo cada vez mais comum a indicação de tratamento de varizes de membros inferiores com a técnica de escleroterapia com espuma guiada por ultrassom. Mesmo casos graves, em que no passado seria indicada cirurgia convencional, com anestesia e cortes, hoje em dia podem ser tratados pela técnica menos invasiva.

Entretanto, um estudo australiano publicado no conceituado Journal of Vascular Surgery Venous and Lymphatic Disorders, em novembro de 2018, comprovou que a espuma aplicada em veias de grande tamanho (especificamente as veias safenas) estão relacionadas a maior falha do tratamento após 6 semanas e 1 ano. Após 1 ano, apenas 44% das veias tratadas ainda permaneciam ocluídas.

Observou-se que veias safenas com diâmetros acima de 6 mm estão associadas a maior falha de tratamento. Entretanto, não foi possível neste estudo definir se houve impacto nos sintomas dos pacientes tratados.

Técnica da escleroterapia com espuma

    Técnica da escleroterapia com espuma guiada por ultrassom (arquivo pessoal)

 

Nossa equipe desenvolveu um estudo não somente sobre a taxa de oclusão das veias, mas também sobre a melhora clínica dos pacientes com doença grave. Este trabalho foi publicado em 2017 no Jornal Vascular Brasileiro. Foi observado que a melhora dos sintomas, medida pelo Venous Clinical Severity Score (VCSS), foi significativa (figura abaixo). A taxa de recanalização após a espuma foi muito semelhante ao trabalho anteriormente citado.

 

Ou seja, apesar de muitas veias tratadas voltarem a permitir a passagem de sangue, há uma nítida melhora dos sintomas. Quanto maior a veia tratada, menor é a eficácia do tratamento.

O estudo das veias pelo Doppler venoso com profissional habilitado é essencial para determinar o tamanho da veia a ser tratada. Além disso, o cirurgião vascular responsável precisa analisar os riscos e benefícios da escleroterapia e verificar se ela é a melhor opção.

 

Fontes: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30108030
              http://www.scielo.br/pdf/jvb/v16n3/1677-5449-jvb-16-3-239.pdf