Atualização em Embolização de Miomas

O procedimento de Embolização de Miomas Uterinos (EMUT) foi inicialmente descrito em 1995. Desde então, tornou-se mais um instrumento que permite tratar cada vez mais mulheres com miomas uterinos sintomáticos. Dentre as outras técnicas existentes, há a miomectomia (extração cirúrgica dos tumores), a histerectomia (remoção do útero), o tratamento clínico (uso de hormônios para controlar o crescimento dos nódulos) e o Ultrassom Focado de Alta Intensidade.

Vários estudos foram conduzidos ao longo desses 22 anos, comparando as técnicas e seus resultados no bem estar das pacientes.

A embolização sempre foi uma técnica destacada pela baixa morbidade e rápida recuperação, porém sua indicação deve ser estudada em conjunto com o ginecologista e o intervencionista.

 

Um estudo recente de 2016, publicado na importante revista American Journal of Obstetrics & Gynecology, comparou os resultados da embolização e da histerectomia após 10 anos de acompanhamento, para mulheres que apresentavam sangramento menstrual excessivo. Foram tratadas 81 paciente com embolização e 75 com histerectomia. Os resultados não mostraram diferenças na qualidade de vida entre os grupos. A satisfação entre os procedimentos também foi estatisticamente igual (78% versus 87%). Ao longo dos 10 anos, 1/3 das pacientes embolizadas foram submetidas a uma histerectomia para controle definitivo dos sintomas. Portanto, concluiram que a EMUT pode prevenir a histerectomia em dois terços das pacientes, com qualidade de vida e satisfação aceitáveis.

 

Consenso de experts austríacos e alemães publicado em 2017 ressalta vários aspectos da EMUT que devem ser seguidos pelos médicos que tratam essa doença:

1. Indicação: somente em pacientes sintomáticas. É uma alternativa à cirugia ou ao tratamento clínico, independente do tamanho dos nódulos. Deve ser baseado no objetivo do tratamento, desejo de gravidez e na escolha individual da mulher.

2. Exames complementares: Ultrassom transvaginal ou, se necessário, ressonância magnética.

3. Gravidez: a EMUT é considerada a última técnica a ser escolhida para mulheres que desejam a gestação, uma vez que o risco de abortamento é aumentado.

4. Contra-indicação: malignidades, gestação, alergias, insuficiência renal, menopausa, infecção aguda. Não há necessidade de remoção de DIU.

5. Re-avaliação: após 6 meses do tratamento, de preferência com ultrassom transvaginal.

 

 

Referências:

de Bruijn AM et al. Am J Obstet Gynecol. 2016 Dec;215(6):745.e1-745.e12. doi: 10.1016/j.ajog.2016.06.051.

Kröncke T, David M. Geburtshilfe Frauenheilkd. 2017 Jun; 77(6): 689–692. doi:  10.1055/s-0043-106259